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Como as Democracias Morrem - Levitsky e Daniel Ziblatt

2018.09.26 00:46 sellaro Como as Democracias Morrem - Levitsky e Daniel Ziblatt

Um trecho da introdução do livro Como as Democracias Morrem, dos cientistas políticos de Harvard Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, me fez pensar muito na situação política do Brasil para esta eleição, no que vem se desenvolvendo nos últimos anos. Me fez pensar também em como alguns países do mundo, de um modo geral, têm se transformado politicamente na última década.
Segue o trecho, extraído de uma tradução para o português (de Portugal) a partir de uma introdução disponível para o público.
Edit:
No dia 9 de agosto [de 2018], Levitsky esteve no Insper e falou sobre os sinais que apontam quando uma democracia está em risco, abordando o cenário brasileiro. Participaram do evento o ministro do STF Luís Roberto Barroso e o cientista político Marcus André Melo (UFPE), com mediação da jornalista Mônica Waldvogel.
Vídeo para o evento no Insper (online quando da publicação deste post).
Edit 2:
Steven Levitsky, um dos autores do livro, escreveu um arigo para a Folha de S. Paulo: Líderes eleitos usam as instituições para subverter a democracia. O artigo é basicamente uma síntese da introdução do livro e um breve comentário sobre o cenário eleitoral brasileiro.
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Os políticos americanos tratam agora os seus rivais como inimigos, intimidam a imprensa livre e ameaçam rejeitar os resultados de eleições. Tentam enfraquecer os amortecedores institucionais da nossa democracia, incluindo os tribunais, os serviços de informações e os gabinetes de ética. Os estados americanos, em tempos louvados pelo grande jurista Louis Brandeis como "laboratórios da democracia", estão em risco de se tornarem laboratórios do autoritarismo, à medida que os que estão no poder reescrevem as leis eleitorais, redesenham os círculos eleitorais e, inclusive, revogam os direitos eleitorais para garantir a vitória. E em 2016, pela primeira vez na História dos EUA, um homem sem experiência em cargos públicos, e com pouco apego visível aos direitos constitucionais e claras tendências autoritárias, foi eleito presidente. O que significa tudo isto? Estaremos a viver o declínio e a queda de uma das democracias mais antigas e de maior sucesso do mundo?
Ao meio-dia de 11 de setembro de 1973, após meses de tensão crescente nas ruas de Santiago, no Chile, aviões a jato Hawker Hunter de fabrico britânico largaram bombas sobre La Moneda, o palácio presidencial neoclássico, no centro da cidade. Enquanto as bombas continuavam a cair, La Moneda ardia. Salvador Allende, eleito presidente três anos antes, à cabeça de uma coligação de esquerda, estava barricado lá dentro. Durante o seu mandato, o Chile havia sido dilacerado pela instabilidade social, pela crise económica e pela paralisia política. Allende dissera que não abandonaria o cargo sem ter completado a tarefa que lhe fora confiada — mas o momento da verdade chegara. Sob o comando do general Augusto Pinochet, as Forças Armadas do Chile assumiam o controlo do país. Ao princípio da manhã desse dia fatídico, Allende proferiu palavras de desafio numa comunicação radiofónica, esperando que os seus muitos apoiantes saíssem à rua em defesa da democracia. Mas essa resistência nunca se materializou. A polícia militar que guardava o palácio havia-o abandonado; a emissão de rádio foi recebida com silêncio. No espaço de poucas horas, Allende estava morto. A democracia chilena também.
É assim que temos tendência a pensar na morte das democracias: às mãos de homens armados. Durante a Guerra Fria, os golpes de Estado representaram praticamente três em cada quatro colapsos democráticos. As democracias da Argentina, do Brasil, do Gana, da Grécia, da Guatemala, da Nigéria, do Paquistão, do Peru, da República Dominicana, da Tailândia, da Turquia e do Uruguai morreram, todas, deste modo. Mais recentemente, golpes militares derrubaram o presidente egípcio Mohamed Morsi, em 2013, e o primeiro-ministro tailandês Yingluck Shinawatra, em 2014. Em todos estes casos, a democracia dissolveu-se de modo espetacular, através do poder militar e da coação.
Mas há outro modo de destruir uma democracia. Menos dramático, mas igualmente destrutivo. As democracias podem morrer às mãos não dos generais, mas dos líderes eleitos — presidentes ou primeiros--ministros que subvertem o próprio processo que os levou ao poder. Alguns destes líderes desmantelam a democracia rapidamente, como Hitler fez no rescaldo do incêndio do Reichstag de 1933, na Alemanha. Na maior parte dos casos, contudo, as democracias vão sendo erodidas aos poucos, em passos pouco visíveis.
Na Venezuela, por exemplo, Hugo Chávez era um outsider político que protestava contra o que descrevia ser uma elite governativa corrupta, prometendo construir uma democracia mais "autêntica" que usasse a vasta riqueza petrolífera do país para melhorar a vida dos pobres. Aproveitando habilmente o descontentamento da generalidade dos venezuelanos, muitos dos quais se sentiam ignorados ou maltratados pelos partidos políticos estabelecidos, Chávez foi eleito presidente em 1998. Uma mulher do estado natal de Chávez, Barinas, disse o seguinte na noite eleitoral: "A democracia está infetada. E Chávez é o único antibiótico que temos."
Quando Chávez lançou a sua revolução prometida, fê-lo democraticamente. Em 1999, realizou eleições livres para uma nova Assembleia Constituinte, na qual os aliados ganharam com uma maioria esmagadora. Isto permitiu aos chavistas redigirem sozinhos uma nova Constituição. Era, no entanto, uma Constituição democrática; e, para reforçar a sua legitimidade, realizaram-se novas eleições presidenciais e legislativas em 2000. Chávez e os aliados também as venceram. O populismo de Chávez desencadeou uma oposição intensa e, em abril de 2002, foi fugazmente derrubado pelas Forças Armadas. Mas o golpe falhou, permitindo a um Chávez triunfante alegar ainda mais legitimidade democrática para si próprio.
Foi apenas em 2003 que Chávez deu os primeiros passos evidentes em direção ao autoritarismo. Com o apoio popular a desaparecer, travou um referendo, liderado pela oposição, que podia retirá-lo do cargo — e travou-o durante um ano, até que os preços em alta do petróleo reforçaram, quanto baste, a sua posição para que pudesse ganhar. Em 2004, o governo incluiu na lista negra aqueles que haviam assinado a petição de revogação e preencheu o Supremo Tribunal, mas a reeleição esmagadora de Chávez em 2006 permitiu-lhe manter um verniz democrático. O regime chavista tornou-se mais repressivo após 2006, fechando uma importante estação televisiva e prendendo ou exilando políticos da oposição, juízes e figuras mediáticas, ao abrigo de acusações dúbias, eliminando também os limites dos mandatos presidenciais, para que Chávez pudesse continuar indefinidamente no poder. Quando Chávez, que estava a morrer de câncer, foi reeleito em 2012, a eleição foi livre, mas não foi justa: o chavismo controlava a maior parte dos meios de comunicação e mobilizou a seu favor a vasta maquinaria governamental. Um ano mais tarde, após a morte de Chávez, o seu sucessor, Nicolás Maduro, venceu outra reeleição questionável e, em 2014, o seu governo prendeu um importante líder da oposição. Contudo, a vitória esmagadora da oposição nas eleições legislativas de 2015 pareceu desmentir as alegações dos críticos de que a Venezuela já não era democrática. Foi apenas quando uma nova Assembleia Constituinte usurpou o poder do Congresso em 2017, quase duas décadas depois de Chávez ter chegado à presidência, que a Venezuela foi reconhecida abertamente como uma autocracia.
É assim que morrem hoje as democracias. As ditaduras ostensivas — sob a forma do fascismo, do comunismo ou do governo militar — desapareceram na maior parte do mundo. Os golpes militares e outras tomadas violentas do poder são raros. A maior parte dos países realiza eleições regularmente. As democracias continuam a morrer, só que agora por meios diferentes. Desde o final da Guerra Fria, os colapsos democráticos foram causados, na sua maioria, não por generais e soldados, mas pelos próprios governos eleitos. Como Chávez na Venezuela, foram os líderes eleitos a subverter as instituições democráticas nas Filipinas, na Geórgia, na Hungria, na Nicarágua, no Peru, na Polónia, na Rússia, no Sri Lanka, na Turquia e na Ucrânia. Hoje, o retrocesso democrático começa nas urnas.
O caminho eleitoral para o colapso é perigosamente enganador. Com um golpe de Estado clássico, como no Chile de Pinochet, a morte de uma democracia é imediata e evidente para todos. O palácio presidencial está a ferro e fogo. O presidente é morto, preso ou enviado para o exílio. A Constituição é suspensa ou abolida. No caminho eleitoral, nada disto acontece. Não há tanques nas ruas. Os textos constitucionais e outras instituições nominalmente democráticas continuam de pé. As pessoas continuam a votar. Os autocratas eleitos mantêm uma aparência de democracia ao mesmo tempo que evisceram a sua substância.
Muitos esforços governamentais para subverter a democracia são "legais", na medida em que são aprovados pela legislatura ou aceites pelos tribunais. Podem até ser apresentados como esforços para melhorar a democracia — tornando o sistema judicial mais eficaz, combatendo a corrupção ou limpando o processo eleitoral. Os jornais continuam a ser publicados, mas são comprados ou intimidados a censurarem-se a si próprios. Os cidadãos continuam a criticar os governos, mas dão muitas vezes por si a enfrentar problemas fiscais ou legais. Isto lança a confusão no público. As pessoas não compreendem imediatamente o que está a acontecer. Muitos continuam a acreditar que vivem numa democracia. Em 2011, quando uma sondagem da Latinobarómetro pediu aos Venezuelanos que classificassem o país numa escala de 1 ("nada democrático") a 10 ("completamente democrático"), 51% dos inquiridos deram-lhe uma nota de 8 ou superior a 8.
Como não existe um único momento — um golpe, uma declaração de lei marcial ou uma suspensão da Constituição — no qual o regime "atravesse a linha" para a ditadura de modo óbvio, não há nada que faça soar o alarme da sociedade. Aqueles que denunciam os abusos governamentais podem ser ignorados como estando a exagerar ou a gritar alarmismos. Para muitos, a erosão da democracia é quase impercetível.

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2017.11.28 14:31 nomanoid_is_ALIVE Uma vez postaram esse texto e conforme 2018 chega continua valendo a reflexão

COPYPASTA DO u/caribbeanparty
"É sem noção.
Hoje alguém postou um link sobre as várias ditaduras que os EUA apoiou. Em seguida alguém postou, com as mesmas palavras, um link sobre as ditaduras que a URSS apoiou. A cada vez que alguém aqui posta qualquer coisa sobre a ditadura militar brasileira alguém posta sobre a ditadura cubana. Se escreve sobre fascistas, alguém escreve sobre comunistas. Esse sub, e parte do "debate" brasileiro, parece que está congelado em 1968, vivendo em outro mundo que o de 2016.
É whataboutism em estado puro.
Ouçam aqui:
o termo "fascismo" se aplica a toda e qualquer medida, posição ou pessoa que desrespeita o rule of law, i.e. o estado de direito, as garantias e liturgias da democracia, e as liberdades e proteções dos direitos humanos e do cidadão - nos nossos tempos protocoladas nos documentos da ONU que se impõem de juris. A maioria esmagadora dos governos comunistas eram fascistas porque eles atropelaram essas garantias, direitos e protocolos. Não é de admirar porque com raras exceções quase todos foram empurrados pela União Soviética, que era um estado fascista de propaganda de esquerda. E a maioria esmagadora dos aliados dos EUA eram fascistas também, porque eles adotaram uma política igual de os fins justificam os meios na disputa geopolítica e governos fantoches.
Ser de esquerda não quer dizer ser fascista de esquerda da exata mesma maneira que ser de direita não quer dizer ser fascista de direita. Não é por você acreditar em políticas do welfare state ou do reforço político sindical, movimentos nascidos na Escandinávia democrática, que isso faz de você apologista de Che Guevara ou herdeiro de Stalin. Não é por você acreditar na eficiência da mão invisível do mercado e dos princípios liberais que isso faz de você apologista do sistema na prática escravagista que existia na Europa pós-industrial no séx. XIX, quando o movimento comunista primeiramente se criou para garantir direitos trabalhistas (como sindicato, greve, salário mínimo, máximo horas de trabalho etc), nem faz de você herdeiro do Hitler ou do golpe militar de 64. Você só é fascista se você defender algo que se encaixa na definição acima. Não importa se você se identificar como de esquerda, de direita, ambientalista, monarquista etc Você pode ser tudo isso e ser um perfeito democrata que defende todos os direitos e garantias.
Lula não é Stalin, Dilma não é Fidel, FHC não é Fulgencio Batista, Alckmin não é Franco, e o Brasil não é nem nunca sequer arriscou ser Cuba, e fingir que sim é atestado de ignorância e quase sempre, se polir a superfície só um pouquinho, seguida de algum apologismo grotesco. Os cerca de duas centenas de estudantes e trabalhadores que fizeram guerrilha armada nunca foram ameaça concreta para as forças armadas, ordens de magnitude superior em capacidade e números, ou para as instituições do país, onde nenhuma assembleia legislativa - municipal, estadual ou federal - jamais foi eleitoralmente ocupada por números consideráveis de leninistas, trotskystas ou o que quiserem. Entretanto o Brasil já foi fascista, duas vezes, no século XX. Uma vez com Getúlio Vargas, que se poderia até argumentar ter sido um fascista com ideias de esquerda (quase todas as leis e garantias trabalhistas principais da constituição tiveram origem no governo dele), e uma outra vez com a ditadura militar, um fascismo de direita. Embora, notem bem se o cérebro ainda permitir nuances para além de generalizações grosseiras, nem os ditadores eram liberais e nem Vargas era socialista. Ele eram só fascistas com tendências divergentes. E é melhor viver na democracia genuína dos que não gostamos do que nas ditaduras dos que simpatizamos.
É idiota e babaca generalizar toda uma corrente de pensamento com culhões de escolas e tradições diferentes apenas com a associação ao pior dos extremos dela. Basicamente, funciona assim: a maioria esmagadora da esquerda é social-democrata. Eles gostariam que o Brasil fosse mais parecido com Dinamarca, a Suécia, a França. A maioria esmagadora da direita é liberal democrata. Eles gostariam que o Brasil fosse mais parecido com Hong Kong, com o Japão, com os EUA. Nós poderíamos estar investindo a nossa energia em colaborar um com o outro para que essas realidades se aproximassem mais efetivamente do nosso país, ao invés de perder tempo se degladiando como se fosse uma conferência sobre quem fede mais na guerra fria. Por conta disso nem estamos indo em direção à Dinamarca nem em direção à Hong Kong. Ficamos no Congo ou na Índia. Nosso modelo nem sequer é capitalista, é mercantilista e arcaico. Capitalismo cria a Coréia do Sul ou Singapura e espalha riqueza. Mercantilismo cria um mercado elitista viciado em commodities antigas que não produz tecnologia nenhuma e privado de mobilidade social ou empreendedorismo. A Vale do Rio Doce pode matar não sei quantos em Minas ou no Maranhão e continua reinando. Vai ver o que aconteceu com a Enron... Como dizia em campanha o Flávio Dino, governador do Maranhão e primeiro governador eleito do Partido Comunista do Brasil para cargo executivo na história, "Eu vou primeiro trabalhar para trazer o capitalismo para o Maranhão, que até hoje não chegou, o empresariado tem a iniciativa castrada e tudo depende de conluio com o estado. Meu governo vai ser o de uma revolução burguesa." Vou só dizer que o lucro do Porto de Itaqui (maior porto do nordeste, em São Luís) aumentou 11000% desde que ele assumiu o cargo. E esse era o estado governado pelo Partido da Frente Liberal antes...
As grandes questões brasileiras estão todas sendo violentamente ignoradas, marginalizadas e sufocadas porque o público que supostamente deveria ter instrução para participar nelas e fazer algo fica é perdendo tempo com essa babaquice de brincar de guerra fria e saber quem fedia mais ou menos, se Che Guevara ou Emílio Médici.
Nós temos o pior modelo eleitoral de todas as democracias do mundo e não existe um protesto sequer sobre essa questão, as pessoas são completamente alienadas quanto a isso, a raiz de todos os problemas. O único deputado (hoje senador) que adotou essa reforma como sua plataforma principal (Reguffe) é repetidamente sabotado e isolado no Congresso. O resultado é o nível que vimos no domingo.
O estado laico tá literalmente sendo destruído, a bancada pentecostal está em processo aberto, crescente e bem sucedido de violar a constituição.
Nós temos a maior fossa social de todo o mundo ocidental, o que nos deu o apelido internacional de Belíndia - i.e. a terra que é Bélgica e Índia ao mesmo tempo. Em vez de estimularmos o empreendedorismo, empresarial e social, para geração real de emprego e riqueza e que as pessoas saiam da pobreza bem como adotarmos políticas de distribuição eficazes ficamos perdendo tempo, perdemos tempo igenuamente e até inconscientemente apoiando a corrupção do sistema que permite isso, castra o empresariado e acusando qualquer iniciativa no sentido de aliviamento de pobreza extrema de populismo soviético em vez de se concentrar em corrigir e melhorar as falhas do sistema. A educação brasileira está entre as piores do mundo, e é por falta de investimento e estrutura, não é por nenhuma teoria da cospiração de marxismo cultural. Inclusive a educação privada brasileira é dentre as piores do mundo também. Quantos ricos brasileiros se tornaram o novo Stephen Hawking, o novo Steve Jobs ou o novo Umberto Eco? Os indígenas do Brasil são diariamente assassinados. Acesse o site de qualquer jornal regional de zonas com reservas no país e você lerá notas a respeito, todo fucking dia. Isso nem sequer é discutido, seja aqui, seja nas ruas urbanas, seja no congresso, seja na imprensa.
O sistema penintenciário brasileiro está entre os piores do mundo e é uma escola do crime e templo da morte. Um dia pode ser nós ou os nossos lá dentro. A violência da rua é reflexo direto do que se produz lá dentro. E temos uma das polícias mais corruptas do mundo. Quase todo crime cometido no Brasil é feito com armas de fogo da polícia ou do exército.
Nosso país tem o maior comércio de prostituição infantil e trabalho escravo do mundo, competindo com Congo e Tailândia. Está acontecendo todo dia. Tem deputados na Câmara com processos nessas áreas. Ninguém posta nada sobre isso. Agora sobre o que Che Guevara fez nos anos 50 em Cuba ou Mussolini nos anos 40 abundam. Hoje mesmo alguém postou uma reportagem sobre prostituição no Congresso (suruba com dinheiro público) e a maioria dos comentários quando abri era condenando os jornalistas. O país vive numa inversão de valores total.
A maioria dos formadores de opinião do Brasil são pessoas sem formação, populistas, demagogos, nunca tocam nas verdadeiras grandes questões do país, ficam investindo em polarização da população e geral segue que nem manada. É uma bolha. Uma bolha, um negócio bizarro.
Não me encham mais o saco comparando progressistas, direitos humanos e políticos social-democratas com Cuba ou a URSS e não me encham mais o saco comparando empreendedores e políticos liberais (de que o Brasil infelizmente quase não tem nessa direita fajuta que sabota direitos liberais clássicos) com Hitler ou a ditadura militar. E se você é um defensor de qualquer um desses é você o fascista, que você se identifique como comunista ou como cristão.
Edit: Uau. Escrevi isso ontem à noite sem maiores pretensões, embalado por estar de saco cheio do nível baixo e emburrecedor do debate ao meu redor, mas não imaginei a receptividade e identificação que ia ter. Agradavelmente enganado. Terminou se tornando o post mais votado de todos os tempos no sub e foi parar até no /all (we did it, /Brasil). Afinal, vocalizei o que mostra ser uma enorme frustração e vontade de redirecionar as coisas. Isso me deu uma dose de esperança e otimismo. Espero que essa moderação e pragmatismo comece a ser mais alta e mais forte do que as disputas emburrecedoras. Obrigado a todos que manifestaram apoio e também a todos que trouxeram críticas construtivas. Tentei na medida do possível responder às participações sérias e também pude aprender (e ocasionalmente ensinar) mais. Passei de estar profundamente frustrado com o sub e "os brasileiros" para um sentimento de solidariedade e vontade de mudar para melhor de fato, não de fábula. Agradeço."reddiquette
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2016.04.22 03:09 caribbeanparty Desabafo: vocês estão ficando ridículos

É sem noção.
Hoje alguém postou um link sobre as várias ditaduras que os EUA apoiou. Em seguida alguém postou, com as mesmas palavras, um link sobre as ditaduras que a URSS apoiou. A cada vez que alguém aqui posta qualquer coisa sobre a ditadura militar brasileira alguém posta sobre a ditadura cubana. Se escreve sobre fascistas, alguém escreve sobre comunistas. Esse sub, e parte do "debate" brasileiro, parece que está congelado em 1968, vivendo em outro mundo que o de 2016.
É whataboutism em estado puro.
Ouçam aqui:
Você só é fascista se você defender algo que se encaixa na definição acima. Não importa se você se identificar como de esquerda, de direita, ambientalista, monarquista etc Você pode ser tudo isso e ser um perfeito democrata que defende todos os direitos e garantias.
Nós temos o pior modelo eleitoral de todas as democracias do mundo e não existe um protesto sequer sobre essa questão, as pessoas são completamente alienadas quanto a isso, a raiz de todos os problemas. O único deputado (hoje senador) que adotou essa reforma como sua plataforma principal (Reguffe) é repetidamente sabotado e isolado no Congresso. O resultado é o nível que vimos no domingo.
O estado laico tá literalmente sendo destruído, a bancada pentecostal está em processo aberto, crescente e bem sucedido de violar a constituição.
Nós temos a maior fossa social de todo o mundo ocidental, o que nos deu o apelido internacional de Belíndia - i.e. a terra que é Bélgica e Índia ao mesmo tempo. Em vez de estimularmos o empreendedorismo, empresarial e social, para geração real de emprego e riqueza e que as pessoas saiam da pobreza bem como adotarmos políticas de distribuição eficazes ficamos perdendo tempo, perdemos tempo igenuamente e até inconscientemente apoiando a corrupção do sistema que permite isso, castra o empresariado e acusando qualquer iniciativa no sentido de aliviamento de pobreza extrema de populismo soviético em vez de se concentrar em corrigir e melhorar as falhas do sistema. A educação brasileira está entre as piores do mundo, e é por falta de investimento e estrutura, não é por nenhuma teoria da cospiração de marxismo cultural. Inclusive a educação privada brasileira é dentre as piores do mundo também. Quantos ricos brasileiros se tornaram o novo Stephen Hawking, o novo Steve Jobs ou o novo Umberto Eco?
Os indígenas do Brasil são diariamente assassinados. Acesse o site de qualquer jornal regional de zonas com reservas no país e você lerá notas a respeito, todo fucking dia. Isso nem sequer é discutido, seja aqui, seja nas ruas urbanas, seja no congresso, seja na imprensa.
O sistema penintenciário brasileiro está entre os piores do mundo e é uma escola do crime e templo da morte. Um dia pode ser nós ou os nossos lá dentro. A violência da rua é reflexo direto do que se produz lá dentro. E temos uma das polícias mais corruptas do mundo. Quase todo crime cometido no Brasil é feito com armas de fogo da polícia ou do exército.
Nosso país tem o maior comércio de prostituição infantil e trabalho escravo do mundo, competindo com Congo e Tailândia. Está acontecendo todo dia. Tem deputados na Câmara com processos nessas áreas. Ninguém posta nada sobre isso. Agora sobre o que Che Guevara fez nos anos 50 em Cuba ou Mussolini nos anos 40 abundam. Hoje mesmo alguém postou uma reportagem sobre prostituição no Congresso (suruba com dinheiro público) e a maioria dos comentários quando abri era condenando os jornalistas. O país vive numa inversão de valores total.
A maioria dos formadores de opinião do Brasil são pessoas sem formação, populistas, demagogos, nunca tocam nas verdadeiras grandes questões do país, ficam investindo em polarização da população e geral segue que nem manada. É uma bolha. Uma bolha, um negócio bizarro.
Não me encham mais o saco comparando progressistas, direitos humanos e políticos social-democratas com Cuba ou a URSS e não me encham mais o saco comparando empreendedores e políticos liberais (de que o Brasil infelizmente quase não tem nessa direita fajuta que sabota direitos liberais clássicos) com Hitler ou a ditadura militar. E se você é um defensor de qualquer um desses é você o fascista, que você se identifique como comunista ou como cristão.
Edit: Uau. Escrevi isso ontem à noite sem maiores pretensões, embalado por estar de saco cheio do nível baixo e emburrecedor do debate ao meu redor, mas não imaginei a receptividade e identificação que ia ter. Agradavelmente enganado. Terminou se tornando o post mais votado de todos os tempos no sub e foi parar até no /all (we did it, /Brasil). Afinal, vocalizei o que mostra ser uma enorme frustração e vontade de redirecionar as coisas. Isso me deu uma dose de esperança e otimismo. Espero que essa moderação e pragmatismo comece a ser mais alta e mais forte do que as disputas emburrecedoras. Obrigado a todos que manifestaram apoio e também a todos que trouxeram críticas construtivas. Tentei na medida do possível responder às participações sérias e também pude aprender (e ocasionalmente ensinar) mais. Passei de estar profundamente frustrado com o sub e "os brasileiros" para um sentimento de solidariedade e vontade de mudar para melhor de fato, não de fábula. Agradeço.
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